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📘 CPC 27 · IAS 16 · Contabilidade

CPC 27 — Ativo Imobilizado: conceito, reconhecimento e depreciação com exemplos práticos

📅 Publicado: 01 de junho de 2026 🕐 Leitura: ~8 minutos ✏️ Contabilidade · IFRS · Brasil

O CPC 27 — Ativo Imobilizado estabelece as regras contábeis para reconhecimento, mensuração e depreciação de bens tangíveis de longa duração nas empresas brasileiras. Entender esse pronunciamento é essencial para contadores, auditores e gestores financeiros que precisam garantir conformidade com as normas contábeis brasileiras e as IFRS (IAS 16).

1. O que é o CPC 27 e sua correlação com a IAS 16

O Pronunciamento Técnico CPC 27 — Ativo Imobilizado é emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e corresponde à norma internacional IAS 16 do IASB. Seu objetivo é estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, permitindo que usuários das demonstrações contábeis identifiquem o investimento da entidade nesses ativos e suas mutações ao longo do tempo.

Os principais pontos abordados são: o reconhecimento dos ativos, a determinação dos valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas.

ℹ️
Definição oficial — CPC 27, item 6

Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período.

2. Definição e reconhecimento do ativo imobilizado

Conforme o item 7 do CPC 27, o custo de um item do ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se, duas condições forem atendidas simultaneamente:

📋 Critérios de reconhecimento — CPC 27, item 7
CondiçãoDescriçãoNatureza
Probabilidade de benefício É provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade Obrigatória
Mensuração confiável O custo do item pode ser mensurado confiavelmente Obrigatória

Sobressalentes e peças de reposição (item 8)

Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais de um período. Se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados dessa forma.

3. Mensuração no reconhecimento — elementos do custo

O item 16 do CPC 27 determina que o custo de um ativo imobilizado compreende três componentes principais:

💰 Composição do custo — CPC 27, item 16
#ComponenteO que inclui
1 Preço de aquisição Impostos de importação + impostos não recuperáveis − descontos comerciais e abatimentos
2 Custos diretamente atribuíveis Frete, instalação, montagem, testes, honorários profissionais, benefícios a empregados
3 Custos de desmontagem Estimativa inicial de remoção do item e restauração do local — registrada como provisão (CPC 25)

O que não integra o custo do ativo (item 19)

❌ Custos excluídos do valor contábil — CPC 27, item 19
Tipo de custoExemplo práticoTratamento
Abertura de nova instalação Festas de inauguração, comunicação de lançamento Resultado imediato
Introdução de novo produto Propaganda e atividades promocionais Resultado imediato
Transferência de atividades Treinamento para atender nova categoria de clientes Resultado imediato
Custos administrativos Overhead, custos indiretos gerais Resultado imediato

4. Depreciação: métodos e vida útil

A depreciação, conforme o item 6 do CPC 27, é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil. O valor depreciável é o custo do ativo deduzido do seu valor residual.

📊 Métodos de depreciação — CPC 27, item 62
MétodoCaracterísticaAplicação típica
Linha reta Despesa constante durante a vida útil (caso o valor residual não se altere) Edifícios, móveis, equipamentos de escritório
Saldos decrescentes Despesa maior nos primeiros anos, decrescendo ao longo da vida útil Equipamentos com obsolescência rápida
Unidades produzidas Despesa proporcional ao uso ou produção esperados — zero quando não há produção Máquinas industriais, veículos (por km)
⚠️
Ponto de atenção — CPC 27, item 62A

O método de depreciação baseado na receita gerada pela atividade não é apropriado. A receita reflete outros fatores além do consumo dos benefícios econômicos do ativo, como inflação e variações de volume e preço de vendas.

Exemplo prático de cálculo — método linear

🏭 Exemplo: máquina industrial
DadoValor
Custo de aquisiçãoR$ 120.000
Valor residual estimadoR$ 20.000
Valor depreciávelR$ 100.000
Vida útil estimada10 anos
Depreciação anual (linha reta)R$ 10.000/ano
Taxa de depreciação10% ao ano

Lançamento contábil anual:

D — Despesa de depreciação (resultado)      R$  10.000
C — Depreciação acumulada — máquinas        R$  10.000

5. Método da reavaliação vs. método do custo

O CPC 27 (item 29) apresenta dois modelos para mensuração após o reconhecimento inicial. No Brasil, a reavaliação de bens tangíveis e intangíveis não é permitida pela Lei nº 11.638/2007 — portanto, as entidades brasileiras adotam obrigatoriamente o método do custo.

⚖️ Comparativo dos métodos de mensuração após o reconhecimento
CritérioMétodo do custo (item 30)Método da reavaliação (item 31)
Base de mensuração Custo histórico − depreciação acumulada − perdas por desvalorização acumuladas Valor justo na data da reavaliação − depreciação e perdas acumuladas subsequentes
Permitido no Brasil Sim — obrigatório Não (Lei 11.638/2007)
Frequência de atualização Não aplicável Com regularidade suficiente para não apresentar divergência relevante do valor justo
Efeito no patrimônio líquido Apenas via resultado e reservas de lucros Criação de reserva de reavaliação no PL (quando há incremento)

6. Exemplos práticos de registro contábil

Exemplo 1 — Aquisição de veículo a prazo com ajuste a valor presente

Uma empresa adquire um veículo por R$ 80.000, com pagamento em 24 meses. O preço equivalente à vista seria R$ 72.000. A diferença de R$ 8.000 representa encargos financeiros e deve ser registrada separadamente, conforme o item 23 do CPC 27 e o CPC 12 — Ajuste a Valor Presente.

— No reconhecimento inicial:
D — Veículos (ativo imobilizado)              R$  72.000
D — Encargos financeiros a apropriar          R$   8.000
C — Fornecedores a pagar                      R$  80.000

— Pela depreciação anual (vida útil: 5 anos, valor residual: R$ 12.000):
D — Despesa de depreciação                    R$  12.000
C — Depreciação acumulada — veículos          R$  12.000

Exemplo 2 — Custos subsequentes: substituição vs. manutenção

🔧 Substituição de partes vs. manutenção periódica — itens 12 e 13
SituaçãoFundamentoTratamento contábil
Troca de motor de aeronave (componente significativo) Item 13 Capitalizar — reconhecer no valor contábil; baixar a parte substituída
Revisão de lubrificação e filtros anuais Item 12 Resultado — despesa de manutenção periódica
Inspeção importante de aeronave (vistoria obrigatória) Item 14 Capitalizar — se os critérios do item 7 forem atendidos

Exemplo 3 — Baixa de ativo imobilizado com ganho (item 71)

Uma empresa vende um equipamento por R$ 15.000. Custo histórico: R$ 60.000 · Depreciação acumulada: R$ 50.000 · Valor contábil líquido: R$ 10.000 · Ganho na baixa: R$ 5.000.

D — Caixa/Bancos                              R$  15.000
D — Depreciação acumulada — equipamentos      R$  50.000
C — Equipamentos (custo histórico)            R$  60.000
C — Ganho na baixa de ativo (resultado)       R$   5.000
📌
Atenção — CPC 27, item 68

Os ganhos decorrentes da baixa de um ativo imobilizado não devem ser classificados como receita de venda. Devem ser apresentados como outros ganhos/perdas no resultado do período.

Exemplo 4 — Reconhecimento de custos de desmontagem (item 16c)

Uma empresa instala um equipamento em terreno alugado. Estima-se que o custo presente de desmontagem e restauração ao final do contrato (10 anos) seja R$ 30.000.

— No reconhecimento inicial do ativo:
D — Equipamentos (ativo imobilizado)          R$ 130.000
C — Caixa/Bancos (custo de aquisição)         R$ 100.000
C — Provisão para desmontagem (CPC 25)        R$  30.000

— Depreciação anual total (custo R$ 130.000, v. residual zero, 10 anos):
D — Despesa de depreciação                    R$  13.000
C — Depreciação acumulada — equipamentos      R$  13.000

7. FAQ — perguntas frequentes sobre o CPC 27

O terreno deve ser depreciado?
Não. Terrenos têm vida útil ilimitada e não são depreciados, conforme o item 58 do CPC 27. A exceção ocorre quando o custo do terreno inclui custos de desmontagem, remoção e restauração do local — essa porção específica é depreciada durante o período de benefícios obtidos ao incorrer nesses custos.
Quando a depreciação começa e quando deve cessar?
A depreciação se inicia quando o ativo está disponível para uso (item 55). Ela cessa na data em que o ativo é classificado como mantido para venda (CPC 31) ou quando é baixado, o que ocorrer primeiro. Um ativo ocioso não para de ser depreciado, salvo se estiver totalmente depreciado.
Qual a diferença entre vida útil e vida econômica?
A vida útil é o período em que a entidade espera utilizar o ativo. A vida econômica é o total de benefícios que o ativo poderia gerar para qualquer usuário. A vida útil pode ser menor quando a entidade tem política de alienar ativos após determinado período (item 57).
Com que frequência revisar a vida útil e o método de depreciação?
Pelo menos ao final de cada exercício (itens 51 e 61). Qualquer alteração deve ser tratada como mudança de estimativa contábil, conforme o CPC 23, com efeito prospectivo — não retroativo.
O que são “plantas portadoras” no contexto do CPC 27?
Plantas portadoras são plantas vivas utilizadas na produção agrícola por mais de um período, com probabilidade remota de venda como produto agrícola (Revisão CPC 08). Devem ser contabilizadas como ativo imobilizado, e não como ativo biológico (CPC 29).
Como tratar a redução ao valor recuperável do ativo imobilizado?
Conforme o item 63, a entidade deve aplicar o CPC 01 — Redução ao Valor Recuperável de Ativos para determinar se um ativo imobilizado está com parte de seu valor irrecuperável (impairment). O CPC 01 determina como revisar o valor contábil, como determinar o valor recuperável e quando reconhecer ou reverter perdas.

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Mapa Mental Expandido – CPC 27 (Ativo Imobilizado)

Mapa Mental Interativo Amplo: CPC 27 – Ativo Imobilizado

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01

Objetivo do CPC 27

Estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, focando no reconhecimento, determinação dos valores contábeis, encargos de depreciação e perdas por desvalorização.

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02

Alcance da Norma

Aplica-se ao imobilizado em geral. Não se aplica a ativos mantidos para venda (CPC 31), ativos biológicos comuns (CPC 29) e direitos minerais. Inclui plantas portadoras.

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03

Definições Fundamentais

Conceitos cruciais de Ativo Imobilizado (bens tangíveis de uso superior a 1 ano), Valor Contábil, Valor Depreciável, Valor Residual e Vida Útil econômica do ativo.

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04

Reconhecimento de Ativos

O custo só é ativo se houver probabilidade de benefícios econômicos futuros e mensuração confiável. Divide-se em custos iniciais e gastos subsequentes.

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05

Iniciais vs. Subsequentes

Custos iniciais incluem gastos de segurança/ambientais. Custos subsequentes (manutenção diária) vão para despesa. Grandes substituições ou inspeções são capitalizadas.

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06

Elementos do Custo

Preço de compra à vista, impostos não recuperáveis, gastos diretos para colocar o ativo em operação (frete, montagem) e estimativa de desmontagem/restauração.

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07

Mensuração Inicial

Mensurado pelo valor equivalente à vista. Compras a prazo com juros embutidos exigem a separação dos encargos financeiros como despesa (exceto CPC 20). Permutas usam valor justo.

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08

Mensuração Posterior

Adoção do Método do Custo (custo menos depreciação e impairment) ou Método de Reavaliação (este último vedado para fins societários no Brasil pela Lei 11.638/07).

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09

Depreciação Geral

Alocação sistemática do valor depreciável. Exige depreciação separada para componentes significativos de um mesmo item (ex: motor e fuselagem de aeronave).

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10

Valor e Período

Valor depreciável é o custo menos o valor residual. A depreciação inicia quando o ativo está disponível para uso e não cessa se o ativo ficar ocioso ou parado.

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11

Métodos de Depreciação

Devem refletir o padrão de consumo dos benefícios econômicos: Linha Reta (Linear), Saldos Decrescentes ou Unidades Produzidas. Revisados no mínimo anualmente.

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12

Impairment (CPC 01)

Aplicação do teste de recuperação. Se o valor contábil líquido for superior ao valor recuperável (maior entre valor justo líquido de venda e valor em uso), reconhece-se perda.

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13

Indenizações de Terceiros

Indenizações de seguradoras por ativos danificados ou perdidos devem ser incluídas no resultado (DRE) apenas quando o valor se tornar integralmente recebível.

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14

Baixa do Imobilizado

Ocorre na alienação ou quando não há expectativa de benefícios futuros. Ganhos ou perdas vão para o resultado, não podendo ser classificados como receita operacional comum.

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15

Divulgação e Transição

Exige divulgação de métodos, vidas úteis, taxas e conciliação detalhada de saldos em notas explicativas. Disposições transitórias regulam alterações retrospectivas/prospectivas.

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